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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

“Contornando” (18/11/2018)


A vida é cheia de limites
Não é mesmo
Os sentimentos no caso
São os contornos da alma
Eu também queria aprender a fugir
Do que se carrega no olhar
Mas no fim só me resta confessar
A esperança não é minha

Essa é a mais nova fronteira
O ímpeto, a coragem, a felicidade
São visitantes que se esgotam
O cansaço que se projeta no corpo
Não se compara com o que esconde a face
Neste oceano que é viver
Ninguém escapa das tempestades

Trancado aqui dentro
O sonho esmaece em um suspiro
A alegria não equilibra o peso
O tempo escorre como se fosse findar
Por que não jogar as âncoras?
Por que não se entregar ao mar?

Mas quem superou os limites
Quem continuou mesmo avisado
Quem amou mesmo sem carinho
Que fez pela primeira vez
Descobriu na insistência
Temos que ser mesmo depois da esperança

Ass: Danilo Mendonça Martinho


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

“Desatado” (17/11/2018)

Quero ser leve, como a gota de chuva que nunca chega ao chão. Desfeito em milhares de prismas, construir o arco-íris, abrir mão do sonho, das esperanças e das expectativas. Um vôo pleno, sem me preocupar com depois. Diluído na tempestade, mas único no propósito. Uma vez ser todo, respirar sem passado na garganta, sem lágrima embargada, viver como se fosse acabar. Quero a paz e silêncio deste céu, sorrir....e em um relâmpago esquecer. Só quero sentir a inocência de abraçar a vida sem receios, uma essência no ar, uma verdade sem desvios. Quero mais que o fim, quero a intensidade desta queda e, se ela é livre, por que qualquer outra coisa não seria. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho


terça-feira, 9 de outubro de 2018

“Será?” (05/10/2018)

Talvez seja isso
Uma cordialidade de fachada
Uma imagem pro vizinho
Uma risada para o chefe
Um carnaval de máscaras

Construímos aparências
Sem construir caráter

Talvez seja isso
Nos movemos pelo ódio
Gostamos de dar rasteira
Do gosto do sangue do inimigo
A sociedade do desprezo ao próximo

O que pensamos ser bolha digital
É provável que seja retrato fiel

Somos essa força primitiva
Agindo para sobreviver
Temos o privilégio do pensamento
Mas não sabemos combater o instinto
Só justificamos o animal em nós

Então que seja isso
Na cabine encontre teu reflexo
Encontre tua raiva e teu medo
Liberte tua vergonha e silêncio
Seja cru e real

Quem sabe diante nossa verdadeira face
O horror nos faça mudar


Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

“Dividido” ( 02/10/2018)

Eu tenho procurado palavras
Algo bem no meio do bom senso
Diferenças são personalidade
Somos comuns no desejo
Mas antes do amor somos contra
Sabemos onde colocar nosso ódio
Só que estamos perdidos com a esperança
Quando não é a paixão que nos move
Quando respondemos violência com opressão
Insegurança com medo
Opinião com censura
Diálogo com ignorância
Respeito com indiferença
O que construiremos sobre o alicerce da raiva?
O que chamaremos de nação?

Desisti dos versos nesse deserto
O meio do caminho
Virou uma completa solidão
Um silêncio ensurdecedor
A única palavra que resta é liberdade
Meu lugar é ao lado dela
E só não me calo
Para não perdê-la também


Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

“Urbana” (31/08/2018)

Um amigo me disse
Que a poesia devia permanecer à margem
Talvez por isso combine com os muros
Nossos limites diários
Nossa ilusão de segurança
Mas a poesia segue nesta margem
Pois ignoramos nossas cercas
Nos cercamos de verdades farpadas
Acreditando estar a salvo da solidão
A poesia na parede fria
Recebe olhares desenganados
Ela encara e não desiste
Não importa o sentido desde que o faça
Ele embarcou para Barra Funda
Muita gente, muito tempo
Muita realidade que vem de dentro
Caem os filtros, caem as máscaras
E na borda da loucura
Quem resiste é o verso
Cru e sem açúcar
Coloca teu pé no chão
Lembra que há vida na próxima estação
Mesmo que seja apenas poesia


Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 12 de maio de 2009

“Tudo que tenho” (03/05/2009)



Sábio foi meu amigo a ponderar:
O Amanhã está longe demais
Eu mal recordava disto
Dias que duram semanas
Esta dor aguda prolongada
As horas me pareceram um deserto
Eu sem muitas forças para lutar
Instalei-me neste inferno
Mais hora menos hora descanso
Um sonho me leva daqui

Mas a promessa do amanhã
Esta é de alto risco
Algumas vezes incalculáveis
Não posso por no papel
Nenhuma dessas palavras
Não posso subtrair significados
Não posso somar sentimentos
Se amanhã permanecer promessa
Saberei que simplesmente perdi

Mesmo assim não reajo
Não é medo do passo em falso
Apenas decidi que não quero
Precipício abaixo já conheço
Hoje almoço o cru e concreto
Não alimento esperanças
Quero apenas respirar
Se lhe parecer muito pouco
Tente tirar meu fôlego

Ainda consciente quero lhe falar
Esta areia que escorre entre os dedos
Isto é o mais concreto que tenho
Isto é tudo que é real agora
Não há miragem suficiente
Nada que possa me dizer
Nada que possa abraçar

Insensato sou eu a esperar
Mas na impossibilidade do real
Tenho que sobreviver o dia
Se for necessário uma verdade
Que você não existe meu amor
Que não exista então
Nem hoje, nem amanhã!

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 7 de maio de 2009

“Vil” (26/04/2009)



Nos meus braços
Ao alcance de uma sutileza.
Insinuações desesperadas
Mas ignorei com crueldade
Tudo parecia bom...
Não seria verdadeiro.

O que fazer, como reagir?
Tem jeito certo para acordar alguém?
E se ela não sair deste sonho?
E se tiver que cair da cama?
Este chão é frio
Esta realidade o pesadelo,
Mas cumpri o papel
O diretor me apontou vilão.

Esqueci algumas rimas
Adiantei algumas deixas
Dei as costas e sai
O ato final não era meu.
Ao longe ouvi o choro
Distante senti a angústia
Na escuridão apertei o peito
Fechei o quarto vazio.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 2 de maio de 2009

"Em tempo" (21/04/2009)



É muito tarde para poesias
O dia já vai amanhecer
As estrelas cadentes vão deixar de cair
Restará aos nossos corpos poucas opções
Por isso, neste capricho da noite,
Nesta penumbra que se forma
Diga-me suas palavras sinceras
Tente ao máximo ser direta
Prometo não desviar atenção,
Prometo completo silêncio,
Ouvidos exclusivos ao seu discurso
Prometo um olhar devoto
Reações proporcionais
Mas não me deixe apenas esperando
Desfrute o melhor do seu tempo
Não economize nas verdades
Não evite suas neuras
Transpareça enquanto és invisível

Quem sabe então...
Tudo que somos hoje desaparecerá
Junto das estrelas mergulhadas no céu azul
Quem sabe então...
Nos tornamos uma breve inspiração do amanhã.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 30 de abril de 2009

"Castelo" (21/04/2009)



Minha vida já nasceu aqui,
Cercada de muros, grades e corpos.
Faz algum tempo que não vejo uma brecha,
Que não admiro um pouco da liberdade
Imagino a sorte de quem alcança as masmorras
Eles ao menos, julgados ou não, enxergam além.
Mas minha alma empobrece nessa visão unidimensional.

Se ainda chovesse todos os dias
Quem sabe os fortes não resistiriam.
Mas luto esta guerra sozinho
Tentando escapar do único e do unânime.
A proteção por preço de liberdade.
Ficaria impressionado com as barganhas
Pelo que se vende nessas ruas.
Ficaria entristecido se soubesse o que perdeu valor.

Mas nenhum nobre Rei desceu de seu trono.
Estamos a mercê de leis mutáveis,
Fidelidades compráveis, integridades questionáveis.
A realidade desta cidade emparedada e sufocada.
Essas ruas infestadas de ratos
Diariamente deixando suas casas
Todos atrás de um pedaço do queijo.
Propósitos vazios, desejos encurralados.
Noticias que se repetem em preto e branco.
Verdades que já não são manchetes.
Sinto por aqueles que não olharam uma vez para o céu
Imaginaram transpor essas fronteiras.
Sinto por aqueles que não quiseram sem porquês.

Choro e sangro ao me debater contra os tijolos
O mundo me cercou de pecados
Culpado, não estranho estar preso.
Estas linhas meramente esboçadas
Limites e conceitos puramente imaginários
Continuam a perturbar meus sentidos
Enquanto ainda tento desenhar
Algo real o suficiente para viver.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 25 de abril de 2009

“Realidade Paralela” (20/04/2009)



Distraído me embriagava
Uma bela imagem de um horizonte
Duas sombras despreocupadas em simbiose completa
Felizmente me enganava com o diálogo perfeito
Considerava até a ausência das palavras
Presumia uma simples sensação como necessária.

Perdi-me entre lindos absurdos
Requisitei uma nova vida para amanhã
Bastaria mais um giro
Uma fresta que fosse.
Sorri extasiado pelo que não tinha,
Mas sentia na ponta dos dedos
Algo que obviamente não soube manter.
Algo na minha alma que me reconheceu
Tornou-me um pedaço mais completo.
Respirei mais fundo o ar que me faltava,
e a vida preencheu algum canto vazio.

Mas logo senti o banco de plástico
Notei o chão de ferro
Ouvi o papo furado
Vi a noite sem estrelas
Acordei...e não era um sonho meu.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Clamo" (15/04/2009)



Manifesto-me com suave impressão...
Olhos famintos me esperam
Ávidos de emoções
Uma declaração comedida
Leves palavras amorosas
Proclamariam-se satisfeitos

Escrevo à beira de expectativas
Debato como completar
Debuto alguns sentimentos
Ações expandem-se
Quero gritar ao mundo
Quero presenciar ao sonho
Quero tanger à tua pele

Ainda ecôo
Não cruzas meus caminhos
Esquiva-se elegantemente

Tudo em essência seriam versos
Arrisco dizer: indignos
Sinto que mereça o mundo
Mereça teus ouvidos,
Mereça contar um romance,
Sinto que demandam mais.

A recusa de se transcrever,
Também é minha recusa
Este gracioso abraço;
este delicado segurar de mão;
este beijo excitante;
este breve desejo que permeia meus dias
Não permitirei que carreguem o fardo
Das páginas amareladas de meu caderno

Deixo este tribunal por desacato
Não defenderei minha causa
Aqui, argumentos seriam em vão
Não preciso lhe traduzir
Esta, a única razão do meu silêncio
Faz parte de toda bravura
Depois lhe escrevo em uma memória
Mas enquanto permanecer sonho
Não posso...

Se dormisse ao meu lado
Fechariam-se nossos olhos...
Não devo!
A madrugada já é despedida
O Sol levanta-se em breve
Pretendo vislumbrar no horizonte
E sussurrar ao pé do ouvido:
...Hoje, lhe declamo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 5 de abril de 2009

"Retóricas" (19/03/2009)



Meus sonhos seguem passando
Como água numa cachoeira
Minha mente é um filme 24 horas
Pequenas felicidades e outras tantas tragédias
Meus olhos não estão nem perto da realidade.
Deixo-me carregar cada vez mais longe
Deixo escapar entre meus dedos
Algo que estava a centímetros do meu rosto
Um beijo, um abraço, uma verdade, uma coragem.

Enganam-se aqueles que acham que quero mudar tudo
Não há nada de sensato em mudar passados
São minhas próximas decisões que mais me corroem
Estas sim me farão feliz
E se eu já sei tudo que quero
Mas não posso convencer ninguém disto?
Até que ponto seria válido o fazer?
Até que ponto vale como concreto?
Não seria apenas uma ilusão argumentar um sentimento?
Defendê-lo em praça pública e tribunais
Não seria em vão ter um aval da justiça?
Não estaria apenas invadindo um coração?
Certas coisas se devem apenas sentir.

Eu sinto além do que devo, além do que posso
Muitas vezes mais que suporto
Tento descarregar tudo em palavras
Elas levam a sinceridade que me livro sem pudores.
Sinto que sentimentos provoquem tanto medo.
As máscaras não me servem
Encontrei algumas coisas dentro dos meus princípios e vesti.
Mesmo assim a essência não muda.
Seguirei ímpetos ou segurarei vontades?

O telefone está a um dedo de distância
Programo minhas atitudes
Coisas que faria agora sem pensar duas vezes
Mas penso por horas a fio.
Tento construir uma ponte
O abismo por vezes me vence
Não há jeito de chegar do outro lado
São mais alguns passos em falso
Tudo então se acaba em medos, dores,
Memórias, imaginações e tempo
Resta contigo apenas suas crenças
Acredita o suficiente em si mesmo?...
O céu não vai se abrir
Ninguém vai lhe sussurrar um segredo
Muito menos terá uma visão.
Será você e tudo que há de carne, osso e âmago
Será só você.

Nunca soube o que dizer a um sonho.
Já me disseram tantas coisas sobre isso.
Tento ainda aprender.
Poderia, talvez, entender.
Mas nenhuma pergunta faz mais sentido.
Já estou abismo abaixo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 17 de março de 2009

"Vamos todos enlouquecer a razão!" (15/03/2009)



Um grito de liberdade
Uma verdade desonesta
Um tapa na cara
Faça o que for preciso
Rasgue a roupa
Rasgue dinheiro
Jogue fora todos seus cds
Quebre a porta de casa
Coloque suas chaves no lixo
Beba refrigerante vencido
Coma presunto de ontem
No pão amanhecido
Durma no chão
Coloque travesseiros na janela
Cozinhe apenas às terças
Coloque o lixo aos domingos
Tome banho às segundas
Fique acordado nas noites
Sonhe durante os dias
Perca a cabeça
Não dê motivos
Não dê desculpas
Apenas faça
Tudo que tiver ao alcance
Tudo que foi dito impossível
Contrarie apenas pelo gosto
Enlouqueça apenas por capricho
Discuta pela sua sanidade
Argumente para preencher
Ignore as mentes vazias
Não perca tempo
Não perca chances
Mas se perca
Na melhor das maneiras
Feche os olhos
Pule seus precipícios
Encare seus medos
Entregue seus segredos
Minta sem escrúpulos
Seja também o vilão
Experimente todos gostos
Releve seus limites
Dispense sua consciência
Esvazie seus bolsos
Comece alçar vôo
Desconsidere todos atritos
Seja um sistema em equilíbrio
Destes que só existem em exercícios
Coloque a prova todas teorias
Esconda os resultados
Julgue algo além de certo ou errado
Abra uma vez seus olhos
Abrace de uma vez o mundo
Corra enquanto pode
Sorria simplesmente porque pode
Respire porque quer
Quebre suas últimas barreiras
Pensamentos, pudores
Opiniões, valores
Quando tiver sem fôlego
Quando a fatiga lhe bater
Desabafe a última palavra
Sussurre a última letra
Seja livre antes de ser tarde.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 5 de março de 2009

"Depois de Mim”"(24/02/2009)



Quero uma casa perto de um lago
Um vento sudoeste
Um sol pela manhã
Uma chuva no fim de tarde
Quero um poente avermelhado
Quero árvores e flores
Quero respirar ar puro
E algumas borboletas amarelas
Quero uma prosa
Não precisa ser periódica
Muito menos gente conhecida
Pode vir sem data marcada
Para contar qualquer história
Quero ouvir boas risadas
Não me importarei em amparar lágrimas
Mas não saia daqui sem um sorriso
Eu prometo um abraço
Quero me sentir vivo
Parte desta terra que um dia pisei
Parte deste mundo onde lutei
Do futuro o qual não sei
Quando morrer me ouçam
Nem que por uma vez
Não se preocupem, estarei bem
Como último favor
Apaguem as luzes ao anoitecer
Deixe-me dormir com as estrelas
Lembrem sempre...de serem felizes ao amanhecer.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 28 de fevereiro de 2009

"No Futuro" (22/02/2009)



Os laboratórios divulgarão suas descobertas
Curas, medicamentos, novas doenças
Os países anunciarão suas conquistas
Apenas novas guerras sem razão
A tecnologia ultrapassará seus picos
Evoluções além do limite do corpo
Os cientistas divulgarão novas teorias
Que perderão seu propósito sendo discutidas
A natureza criará novas fronteiras
O mundo se protegendo de nossa existência
As sociedades entrarão em colapso
Novas concentrações de poder surgirão
Os relacionamentos tomarão novas proporções
Pudores mudarão seus conceitos
Liberdades serão questionadas
A Vida achará um fim, ou um meio
Para continuar seu curso

Podemos divagar mais sobre o futuro
Ele virá para nos dizer certos ou errados
Mas o que realmente me preocupa
É o que ele não dirá
Em quais assuntos não tomará partido
Diante quais questões silenciará
Quais verdades abrirá mão
Quantos poderes abdicará
Quais lutas, decisões e princípios
Serão deixados a nossa escolha?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"Esperando Salvação" (15/02/2009)



As idéias estão por aí
A beira de precipícios
Prestes a serem enforcadas
Julgadas culpadas
Trancadas em masmorras antigas
Caçadas sem discriminação

As idéias não fogem
Não correm em desespero para suas casas
Não gritam por socorro
Não lutam contra seus agressores
Não fazem protestos
Não reagem a nenhuma ameaça

As idéias te esperam
Que venha no cavalado alado
Que venha enfrentar dragões
Que venha desarmado
Lute com as próprias mãos
Que após muito sangue e suor
As tire da escuridão

As idéias não são de ninguém
Elas vivem nas mãos de quem faz
Habitam as mentes de porta aberta
Realizam-se em desejos puros
Existem aos que não a questionam
Reais como paredes de concreto
Ilusórias como breves imaginações

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"Uma Folha em Branco" (30/01/2009)



Um momento de distração
Inércia talvez
Uma idéia desperdiçada
Um esforço inútil.
E o mundo ficou assim
Sem saber, por procurar
Ouvidos em alerta para um total silêncio
O orador estava imponente e pomposo
A platéia...nunca vi igual
Mas a folha era simplesmente vaga
Algum pensamento que não pode esperar,
Que tinha mais o que fazer,
Que quando se viu de canto
Saiu sem ser notado
E como tudo que se perde
Sua falta fez um buraco, um vazio
Ao lado de tantos outros já sentidos
Pobre pensamento que partiu
Sem saber todo seu potencial
Um adeus já seria o suficiente
Este erro não seria cometido
Agora não há onde procurar.
Ele já está longe demais,
Sua existência tão presente e certa
Mesmo assim não posso dizer nada
Não posso começar um parágrafo
Um verso seria em vão
Seria uma boa intenção em falso
O que fará um poeta sem seu estopim?
O que pode ele se não,
Deixar a pureza da folha intacta?
Branca como uma primeira neve.
Quem é ele para falar de amores, flores, e amizades?
Até o jeito que se depara com o papel,
Parece tão comum e banal sem sua idéia.
Tudo que um poeta, um manipulador de palavras;
Ou um sentimentalista improvável;
Poderia aceitar seria ser comum e banal.
Suas palavras não podem soar as mesmas,
Seus gestos não podem ser sem um propósito maior.
Sua caneta deve pesar quilos
Uma responsabilidade a cada palavra,
A cada vírgula mal posta e rasurada.
A leveza deve estar em sua mente
Com uma meta clara no horizonte
Sem isso...o que será do escritor?
Este que agora se debate sobre a folha...
Que jamais poderá ser escrita.

Ass: Danilo Mendonça Martinho