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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

“Adeuses” (05/11/2018)

Eu vou ter que deixar o teu abraço
O tempo não me esquece
Tudo nessa vida é partida
No fim somos só o que deixamos para trás

Eu choro no teu colo
Na esperança que o abrigo seja eterno
Que possa escancarar toda angústia
Que possa secar essa tristeza
Que encolhido no teu carinho
Não precisasse de um amanhã

O dia partiu meu bem
Mas eu não quero voltar
A única coisa que ainda carrego
É justamente a que quero deixar

Meu sonho já acordou
Meu amor já cresceu
O desejo se transformou
A idade já passou
Acabou a reza e a saudade
O que falta para este adeus?

Nunca achei que ia preferir o fim
Mas essa é a lição da vida
De tudo que dói e de tudo que se ama
Viremos a nos despedir

Ass: Danilo Mendonça Martinho


domingo, 10 de maio de 2015

“Teoria dos nós” (04/05/2015)

Não há exatidão nas palavras
Por isso amar não tem limites
Razões para ser são as mesmas de esquecer
Poderíamos aceitar o que é real
Mas somos a aposta da incerteza
Ser mesmo que chova ou seque
Voltar é mais natural do que seguir
A porta separa o tempo e o espaço
O abraço elimina o antes e o depois
O infinito não se aplica à escolha
Nosso caminho é através da parede
Rumo é encontrar entrada pro coração
Destino é aconchegar paz na alma
Enxergar todo dia os traços do sonho
O universo cabe no olhar
Dos meus fiz nossa morada
Com o sorriso beirando a palavra
Para quem passar ter uma ideia insensata
De como ser feliz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 26 de abril de 2015

“Rei e Rainha” (21/04/2015)

O amor manda?
É absoluto em suas vontades?
Há espaços para questionamentos?
Existe alguma forma de fugir?
E se o amor for ditadura?

Sob seu estado embriagante
O prazer é lei marcial
Verdades caem como chuva
Sintonizados no mesmo canal
O que divide a linha do horizonte?

O aqui tem limites no corpo
A vida não tem uma única face
A plenitude não está no que é sempre
É o que segue mesmo sem ser
O amor reina junto da dor

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

“O Novo” (08/08/2015)

E quando o hoje acaba?
E quando a curiosidade morre?
E quando acabam os segredos?
E quando o ideal dá lugar a realidade?
E se o engraçado já não é mistério?
E se a noite vira?
E depois da conquista?
E depois que ganha nome?
E depois do medo?
E quando te pedem para ficar....
Você sabe viver sem final?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

“Entre nós” (26/01/2015)

Somos nós bem dados
É fácil viver ao seu lado
Como respirar é involuntário
Teus medos são minhas coragens
Minhas dúvidas são tuas certezas
Há algo até no inverso de nós
Não é uma força de atração
Não é o abraço forte e incondicional
Somos um pedaço de natureza
Alguns sorrisos e lágrimas esporádicas
Nos manterão vivos e fortes
Consciente de que minha raiz cresceu
Até te encontrar
Sei onde plantei minha paz
Amor não é simplesmente nó
É a minha mais profunda escolha

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

“Partido” (22/01/2015)

Jamais irei embora mãe
Há comigo o que não é genético
O caminho de volta para o amor
Serei em qualquer lugar da vida
Tudo que aprendi ao seu lado

Agora eu sei como levantar paredes
Quero plantar meus sonhos
Quero me responsabilizar por outro coração
Preparar carinhos toda noite
Deitar sempre em paz

Mas não despertenço de nada
Meu futuro fará parte do passado
Seremos eternamente este abraço
Seremos sempre este encontro
E jamais esqueceremos o beijo de boa noite

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 27 de dezembro de 2014

“Um abraço” (19/11/2014)

Honestamente não sei como quebrar o silêncio, e dizem que sou bom com as palavras, mas nunca com você. Não sei como vai me receber naquele dia, há muito na sua cabeça e independente do seu humor sei o que guarda por dentro e isso é o que sempre admirei. Então mesmo de lado, de canto, vamos nos entendendo aos poucos, com fala baixa e rara, sobre assuntos banais e outros nem tanto. Muitas vezes pessoas viram como você exterioriza toda sua raiva, sua inconformação, e só quem convive mesmo sabe que guarda para si toda bondade, tudo que sempre te faz tomar atitudes de cuidado, de carinho. Talvez o que mostramos para o mundo nos deixa mal falados, ou incompreendidos. Talvez não seja preciso palavra alguma, apenas um olhar que enxergue e que principalmente saiba. Por você a vida seria só sacrifício por aqueles que ama. Por mais que certas coisas fujam da sua compreensão, ainda assim aceita e faz o melhor pelo outro. A vida já te deu muito revés, mas não te tirou esse gesto, não apagou essa alma, não te tirou do rumo, apenas algumas vezes do sério. Eu sei e acredito que você sabe que este silêncio entre nós é amor. O que tem me incomodado é outra coisa. Queria chegar perto de ti e te abraçar, para que você soubesse que sou grato. Nosso amor é incondicional, eu quero dizer outra coisa que não está na palavra, nem na falta dela, nem neste nosso acordo velado. Quando nós crescemos percebemos o quanto certas pessoas a nossa volta dedicaram partes inteiras de suas vidas para que nós pudéssemos viver as nossas. Penso que talvez isso nem caiba em um único abraço, mas você merece essa gratidão expressa da melhor forma que posso. Ainda saberei melhor o que te dizer, serei melhor em encurtar nossas distâncias, por enquanto darei um jeito de te encontrar neste abraço que não é por agora, mas pelo que sempre foi para mim. Teu coração é meu exemplo e espero que o meu também tenha força de alcançar tantas pessoas. Obrigado por doar esta parte de sua vida, farei algo lindo disso tudo. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 23 de novembro de 2014

“Porto” (20/10/2014)

Foi como chegar de uma viagem sem precisar partir. Descarregar nossas roupas, nossas coisas e nossa vida. Tons de felicidade que não conhecia. Não era simplesmente o sorriso, nem era o abraço, era algo mais interno, completo e pleno, um encontro com o futuro, a sensação de viver um sonho, de ser feliz sem nenhum esforço. Estávamos em casa, pela primeira vez. A noite não era a mesma, as luzes ligadas davam um tom de permanência e ouvia o chuveiro ligado do sofá, via a cidade no horizonte e ajeitava nossos pertences, arrumamos a cama e na penumbra da sala olhava pela janela todos meus próximos dias. Faz alguns dias que não me sinto bem, que desenvolvo um pouco de frustração e melancolia, que a realidade me fatiga e me arrasto, o alívio me era raro. Mas quando chegamos meu coração se encheu de esperança, viu todos motivos para seguir. Guardei na minha alma o lugar que poderei fechar os olhos e lembrar toda vez que precisar fugir. Amor, somos um lar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 9 de novembro de 2014

“Até o fim” (28/09/2014)

Me sobrou um último pedacinho de papel. Espero que seja o suficiente para nós dois. Estou espremido no canto da cama, sua marca está ao meu lado e sua fotografia me sorri, em breve seremos eu e você, sem precisar fechar os olhos. Me avisaram o quanto pode ser difícil e não acredito que estaremos a salvo das dificuldades. Só digo que não importa, quero viver tudo ao seu lado, das coisas que completam nossa vida aos sentimentos encolhidos em uma sobra de caderno. Nunca sei o que dizer quando um deles acaba, mas toda brecha de palavras é bom preencher com amor. A noite logo me vence. Acho que vou aproveitar para dormir no pé da cama porque de vez em quando é bom. Tem muito mais silêncio nessas madrugadas que não durmo, muito espaço para sonhar. Precisaremos de tempo, eu e você, para ocupar todos aqueles cômodos com nossos planos. No fim ainda sempre cabe e até sobra o suficiente para não conseguirmos parar. Pensei que neste retalho colocaria um amor do tamanho do mundo, mas descobri que somos extremamente simples. Um abraço, um olhar e um sorriso. Um pedacinho de chão sem dono. Um velho bloquinho com a última folha em branco. Não precisamos muito para explicar nosso encontro. A verdade sobre o nosso amor e outros por aí, é que sempre foi assim. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 2 de novembro de 2014

“Antigas ilusões” (17/10/2014)

Já não me importa o sentido que vai seguir o trem
Teu rosto recostado contra o vidro será desconhecido
Meu destino tem outros caminhos agora
Onde a descoberta já não está do lado de fora
Belezas me passarão os olhos como paisagem
Abraços e beijos me são apenas lembranças
Meu coração sabe, pela primeira vez, para onde voltar
A felicidade só precisa de uma vez
Será por dentro de nossas almas que construiremos
Nossos olhos, corpos e gestos fizeram sua parte
Seremos agora um para o outro
Há tanto espaço quando se juntam vidas
Setenta e dois metros quadrados de sonhos
E cinco janelas para o horizonte
Pelo menos aqui não preciso de mais nada
Quem diria que quando pegava outro vagão
Diferente das mulheres que me chamavam atenção
Sempre estava no lugar certo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 28 de março de 2010

“Bem Estar” (22/03/2010)




Não conto mais pétalas de rosas
Não arquiteto mais nenhum verso
Tudo acabou-se dentro de mim
Os últimos já levantaram acampamento
A grama verde já volta a nascer
E não demora a você esquecer também

Fui réu confesso de meus erros
Fui sem saber para onde
Defini então todos meus limites
Cansado de tentar demais
Fui encontrar em mim um lar
Onde sempre quis estar

Perdoe minha sinceridade
Perdoe minha falta de jeito
Mas o amor é alguma outra coisa
Aquém de qualquer explicação
E já não posso mais me importar
Nem imaginas do que abri mão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 24 de junho de 2009

“Inverno” (13/06/2009)

Vivo entre invernos, não sei bem porque meu coração agita-se mais nessa época, talvez querendo mostrar que ainda estou vivo, evitando toda inércia deste tempo frio e inibidor. Por fato paixões se aproximam e se resolvem, e eu tenho passado meus anos assim, no aguardo de um próximo inverno, uma nova história para contar. Os amores costumam me encontrar por aqui, por mais que eu tente fugir, ponderar ou manter a calma. Ainda me aconchego entre os cobertores, no momento, minha única companhia. Acomodo-me entre meus sonhos, acordo pronto para esquecê-los. Alguma hora por esses dias vou crescer. Aprender algo de novo, no ritmo cadenciado que minha vida segue. Até o dia de compartilhar um chocolate quente na varanda. Um pôr-do-sol, uma chuva. Um sentimento congelado entre as masmorras do castelo. Todos aconselham a não deixar as fortalezas, eu decido por me arriscar em campo aberto. Há algo de inebriante no romance, algo que não pretendo defender nem discutir. Não me importo em ser algum último. Não posso apontar errados. Esses são meus limites, até onde posso imaginar, até onde a mente se pode controlar, até onde meu amor puder alcançar, até onde minha mão puder tocar. O resto é teu. Espero que venha me visitar em uma próxima estação.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sexta-feira, 12 de junho de 2009

“Pedindo Demais” (01/02/2009)



Quero uma mulher de saia branca, blusa de alsinha e cabelo ruivo.
Quero uma mulher da minha altura de botas pretas e fala direta
Quero uma mulher de face meiga e sorriso arrebatador
Quero uma mulher de risada gostosa e humor impecável
Quero uma mulher de crises histéricas e absurdos injustificáveis
Quero uma mulher de agosto setembro ou outubro
Mas talvez nada disso
Quero uma mulher de coração grande e abraço sincero
De lábios doces e molhados
Quero uma mulher de bem consigo
De tristezas curtas e felicidades imensuráveis
Quero uma mulher que enlouqueça tudo de vez em quando
Quero uma mulher que tire meus pés do chão
Que adore dançar desengonçada quase que nem eu
Quero uma mulher para um fim de tarde
Mas muito mais para um começo de dia
Quero uma mulher para pensar nas horas vagas
Quero uma mulher que não deixe de escutar
Mas quero dessas com opinião e que saiba dizer não
Quero uma mulher para andar na rua
Mas muito mais para preencher por dentro
Quero uma mulher para chamar de minha
Mesmo sem ter
Quero uma mulher para por debaixo do braço
Mesmo que ela escape
Quero uma mulher sem pudores nos momentos certos
E alguns dos errados também
Quero uma mulher para rasgar a roupa, para jogar no chão
Quero uma mulher para gritar sem razão
Quero uma mulher de parar o trânsito
O trânsito de sangue nas minhas veias
Quero dessas mulheres pelas quais faço tudo errado
Que fazem esconder tudo atrás de uma risada
Dessas que já sabem que te tem
Quero, como todos querem
Quero uma mulher para os feriados e aniversários
Quero fazer pequenas surpresas românticas
Dar de cafajeste, pedir desculpas
Levar rosas, e brigar por elas.
Quero bancar o bobo e impossível
Quero bancar o mistérioso e o óbvio
Quero, mas sem muitos jogos
Não quero ganhar nada
Quero uma mulher para conquistar
Quero uma paixão para viver
Quero um beijo no meio da chuva
Como um desses que eu já sonhei

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 7 de junho de 2009

“Platonismos Cotidianos” (31/05/2009)



Eu olho um sonho lindo
A imagem perfeita de nós dois.
Eu aprecio o momento com um sorriso
Eu vejo a chuva cair fina e franzir teus olhos
Eu vejo teus lábios em fricção,
Tenuamente armazenando uma camada d’água
Satisfaço-me em você
Neste olhar que me alimenta as entranhas
Me impede os movimentos,
Me pede para não partir.
Eu lhe digo a frase perfeita
Tirando definitivamente seus pés do chão.
Você segura minha mão mais forte
Não vamos a lugar algum.
Teu toque não me incomoda
Nada me pareceu tão confortável antes
Teu rosto contra meu peito
Nossa dança sem nome.

Nosso beijo foi conseqüência
Violenta e feroz de nossas paixões
Ressentidas, protegidas, agora vulneráveis.
Tudo é tão certo e meu...
É impressionante lhe perder num piscar de olhos
Não tenho seu telefone, nem sei seu nome,
Tenho somente tua imagem
Destacada no meio da multidão.
Na estação que nunca desço
No ônibus que mal pego
Nas ruas onde não vivo.
Você vive e respira sem mim
Sem saber do plano
Sem ouvir os mais bonitos poemas.

Eu ocupo a manhã em contar nossa história.
Eu distraio o tempo e a memória
As paredes e seus ouvidos.
A única coisa que lamento em dizer...
É que pela falta de nosso encontro...
Amanhã será outro conto
Uma nova protagonista
Um outro final.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 25 de março de 2009

"Fúria" (17/03/2009)



Abram seus guarda-chuvas
Peguem suas capas
Construam muralhas
Escondam-se em trincheiras
Subam a torre mais alta
Corram para seus sótãos e porões
Cerrem seus olhos com toda força
Nada será o suficiente!
Basta ela vir e estará sozinho
Será uma ilha no mundo
Será apenas tua verdade e nada mais
Será apenas cobrado de ti
O que fará no olho do furacão?
O que dirá na boca da tempestade?
Será forte para dizer quem és?
Será capaz de abrir teu peito?
Espero que tenha um sorriso no bolso
Espero que tenha decorado uma canção
Espero que saiba escolher suas palavras
Não ouse gritar em vão
Não ouse desafiar a natureza
Não ouse trair teu âmago
Não ouse além do que deve
Mostre tudo que pode
Mostre tudo que está disposto
Faça e não olhe para trás
Lembre o que é ser vivo!
Quando ela realmente vier
Tenha o respeito de ficar e ver
Até quando permanecerá real

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 9 de março de 2009

"Romance do Século Passado"(08/03/2009)



Cavaleiros cruzando montanhas, campos abertos
Batalhas sem propósito
Cavaleiros invadindo castelos
Vencendo criaturas mitológicas
Fazendo serenatas.
Cavaleiros em guarda para todos os perigos
Buscando sempre a mais alta das torres
Vencendo os mais dementes vilões
Fazendo o que foi dito impossível.
Cavaleiros que são feridos, que caem no chão,
Que sangram, mas continuam a lutar.
Cavaleiros de um velho romance,
Que entre buscas e desencontros
Atravessaram mares atrás de uma única dama.

Corações conquistados aos olhares distantes,
Na relação julgada proibida.
Corações em eterna fuga pela felicidade,
Presos em angústia e negados pela sociedade.
Corações fortes o suficiente para vencer o tempo.
Corações do século passado
Que sangravam por um olhar recíproco.

Damas eternamente em perigo,
Mais fortes que um exército.
Damas que enfrentam reis e seus destinos.
Damas que aceitam sacrifícios, que abrem mão
Damas que jamais se dão por vencidas.
Damas de um sonho passado
Capazes de mover o mundo.

Sei que por estas ruas ainda andam estas damas,
Ainda sagram estes corações
Ainda lutam estes cavaleiros
Para nenhum deles é tarde demais
Ainda é tempo de romances

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

"A Protagonista"(15/02/2008)



Passei horas te admirando
Sabendo que era um erro perder o tempo,
Nessas breves histórias
Onde mostram um mundo de carinho

Como roteiro clichê alguém chegou
Um coração selvagem e indomável.
Eu aqui lhe desejando
Maltratando essa distância da vida real.
A vida que me lembra em momentos,
Um belo programa de TV.

Foi ali que vi quando seus olhares se encontraram
Como que por destino, sem obstáculos,
Dúvidas, medos, inseguranças;
Olhares firmes, diretos, de paixão fumegante,
De queda na certa, de jogo vencido.
Foi ali que simplesmente seus sorrisos combinaram,
Como protagonistas.
Assisti mais um momento mágico
Daqui do sofá, incapaz de trocar de canal.
Nada parece mais vazio,
Nada causa mais angústia
Do que ver o mundo sem sentir-se parte dele.
Vi-me derrotado.
Em algo que não acredito,
Que pode se decidir numa disputa.
Como concorro a este papel?
Troquei de canal, sem respostas, desliguei a TV.
Te perdi.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

"N.D.A."(30/01/2009)




Eu pensei na possibilidade
Mas resolvi ficar
Nem que por versos
Nem que por respiros distantes
Somente na certeza,
Somente pontos finais
Incisivos e indiscutíveis

Foi tua imagem que me deu a razão
Colocou meus pés no chão
Olhei apenas na tua direção
Outras chances já não me importavam
Foi assim que abri mão desta palavra
Que gosto de usar, e criar uma ambigüidade
Simples, pura e direta.
Uma ambigüidade que fica nos seus olhos
A cada nova janela que mostro
A cada porta que abro.
A diversão são os corpos alheios
São as reações, são os espasmos incontroláveis
Desses músculos desobedientes
Que deixam cair lágrimas e dão risadas fora de hora.
Gostoso mesmo é não saber.
É não ter a certeza
É brincar com o possível.

Mas hoje, somente hoje
Lhe faço um agrado e não digo.
Evito entre as linhas com eufemismos,
Intenções e sinônimos.
Deixando tudo nas palavras,
Em único sentido, em uma estrada sem retornos.
Escrevo sem delongas que estou maravilhado
Mesmo sem tua presença,
A lembrança instiga meus sentimentos
Quero é tudo dando certo
Como no sonho que já reconstruí algumas vezes
Se você pudesse realmente aparecer
Aí sim, sem dúvida nenhuma
Não precisaria de um talvez.

Ass: Danilo Mendonça Martinho