segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

“Estagnado” (20/01/2016)

O que será que não enxergo agora?
O que devo fazer com todos esses sonhos?
O que me falta adicionar ao espelho?
Eu queria saber mais de tudo isso
Mas sei sobre o que é possível

Nada que acontece é o fim do mundo
Mas onde é o começo?
Qual lugar exatamente eu me encontro?
Será que eu quero mesmo mudar o que sou?
Só se segue em frente caminhando?

Eu esperava limpar as minhas dúvidas
Chorar as alegrias mais escondidas
Meu medo é não ter saída
Não existir nada além do medíocre
Que grandeza é essa que eu tenho sem respostas?

O vazio da alma é algo estranho
É ter um espaço sem ter o que preencher
É olhar o horizonte e seu rosto sem saber o que procurar
É não saber onde apoiar o coração
Não questiono a esperança, mas existe o que acredito?

O mundo gira sem nós
Eu preciso desatar o meu
Por enquanto permaneço cego
Corpo torto sem caminho certo
O amanhã é um pergunta que ainda não me faço.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

“Corrente de Fé” (11/01/2016)

É difícil não se envolver com a esperança. Tentamos ficar deste lado sóbrios, serenos, justos e lógicos. Só que lá daquele lado é que vive nosso sonho, nossa saída, nossa felicidade, nosso futuro. Por mais que aqui seja um confluente de tudo que já conquistamos, uma seleção do melhor de nós até aqui. O outro lado vai sempre reservar o que ainda podemos e queremos ser, a nova felicidade, diferentes objetivos, voos ainda mais altos. Mudamos e nem sempre o mundo acompanha. Crescemos e nem sempre a cabeça acompanha. Fazemos de nossos esforços uma questão de equilíbrio. É bem verdade que demora e tem muita coisa que se acaba tomando por verdade antes da hora.....as decepções, sem dúvida, são as grandes desvantagens de lá. É preciso muita força de vontade para continuar tentando, é preciso perceber o quanto podemos ser mais felizes para arriscar, é preciso a sinceridade de uma alma nua, que o medo supere a inércia. Devo confessar ainda que a nossa chance é quase um engano. Parece um descuido no universo, um momento que as coisas apontam na sua direção e te abrem o caminho. É tão surreal que muitos de nós deixamos passar pensando ser tudo mentira, mais aterrorizante do que algo que jamais poderá acontecer é o que acontece da maneira que você sempre imaginou. Eis o grande conflito entre o entusiasmo do que está na sua frente e a experiência na pele que te faz sempre ficar com um passo atrás. Mas como, como não mergulhar no rio da esperança e pedir com todas as forças para que finalmente deságue tudo isso que não tem palavra, não tem voz, nem explicação? Como não abraçar e torcer para dar certo? Como depois de conhecer dor, insatisfação, amargura não vamos embarcar nessa correnteza novamente para sermos felizes? 

A esperança não pode te dar a certeza de que essa é a saída, mas isso não impede de desejar que seja. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 6 de dezembro de 2015

“Riscos” (12/11/2015)

Quando a gente é novo o mundo é só descobertas. As curiosidades nos levam a grandes tombos e topadas, mas não importa, a vida é uma aventura. Queremos chegar mais alto, queremos correr mais rápido, queremos ir mais longe. A caixa de papelão f-22 é a mais rápida aeronave de toda história. O cavalo de pau corcel negro é o mais corajoso que já conheci. Meu quintal é testemunha das batalhas mais épicas comigo mesmo. Meus soldados foram para guerra, sem que eu pudesse saber o que era uma guerra. Tinha uma galáxia estelar no box do meu banheiro e nem me deixe começar a falar sobre o teto do quarto. Os corredores eram maiores e o gramado da minha avó o meu Maracanã. Fui de tudo neste enredo, o mundo sempre coube na minha imaginação e foi difícil entender que o contrário não seria mais possível. O adulto é cheio de medos, as paredes são de concreto e tem uma janela onde podemos colocar nossos sonhos longe o bastante. Vejo meu gato pulando dentro de caixas, perseguindo a própria sombra, se divertindo com sacolas plásticas e papel picado. Ao comparar nossos olhos, penso que preciso voltar a ralar os joelhos por aí. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 29 de novembro de 2015

“Mancada” (10/11/2015)

Cansei dessa história
Cansei da culpa
Cansei de estar sempre aquém
Cansei de duvidar
Cansei de procurar o erro no meu espelho
Cansei de me diminuir
Cansei de gastar meu tempo
Cansei de usar o meu pensamento
Cansei dessa história só ter um lado

Quero meu orgulho de volta
Quero o meu sorriso
Quero a minha paz
Quero não olhar para trás
Quero te deixar com suas verdades
Quero me livrar do desgosto
Quero teu melhor só que longe de mim
Quero que perceba as tuas falhas
Quero que compartilhe da humilhação
Quero que você perca o sono
Quero que você entenda o peso da responsabilidade
Quero que você entenda que isso significa muito mais para os outros do que para você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

“Pródigo” (09/11/2015)

Quem sabe era o filho que precisava se perder
Todo mundo sabe o caminho de casa
A questão é com que cara vamos voltar

Precisamos ir longe demais
Desconhecer o nosso próprio ser
Para entender o que nos faz únicos

Tentarei me encontrar da onde parti
Onde rompeu meu espírito de vontade
A última vez que lembro de ser livre

Rezo com todas as forças por um abraço
Desejo com toda esperança um novo caminho
Espero silenciar a dúvida para nascer outra paz

Só posso lhe dizer, que siga os próprios passos
É raro não precisar buscar longe daqui
É mais fundamental ainda a coragem e sabedoria de voltar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

“Um vazio na imensidão” (08/11/2015)

O papel não cria vontade
A agenda não faz compromisso
Tem algo quebrado no espírito
Ou estou muito longe de casa

Cheguei aqui para viver
Não para me deixar levar
Escondi-me atrás do leme
Perdi a força para remar

A inércia é quase um alívio
Mas no espelho só fica a dor
Um incompleto retrato
De um olhar sem calor

Não me falta vento
Me falta prumo
Não me falta sonho
Me falta fé

A promessa permanece
Uma verdade e pés no chão
O medo é não lembrar o caminho
A chance de ter sido vão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 8 de novembro de 2015

“Nublados” (03/11/2015)

O dia está feio
Mas beleza é questão de espelho

Pelo transparente
Há janelas fechadas
Enquanto outros simulam vida
Entre tudo de mais abstrato
A vida é uma lembrança de fundo

No reflexo
Um rosto na escuridão
Uma fresta sem luz
Um olhar sem caminho
A palavra que já começa abandonada

O dia está lá fora
A beleza está por dentro

Ass: Danilo Mendonça Martinho