Quando o Sol não vem
Teu sorriso me ilumina o dia
Quando a Chuva não vem
Teu colo esconde minhas lágrimas
Quando o sonho não vem
Teu abraço me sustenta
Quando a coragem não vem
Teu beijo me dá forças
Quando a vontade não vem
Tua palavra me traz esperanças
Quando me falta presença
Tua lembrança me preenche
Quando me falta inspiração
Tua alma me transborda
Quando me falta tempo
Teu amor me traz eternidade
Quando me faltam razões
Tua emoção me impulsiona
Quando me falta sentido
Teus dedos se entrelaçam com os meus
Quando não vem o que me falta
Você me completa
Só não sei o que sou meu bem
Quando você me falta
Quando você não vem
Ass: Danilo Mendonça Martinho
terça-feira, 27 de junho de 2017
segunda-feira, 19 de junho de 2017
“Deserto” (20/04/2017)
Me fogem as palavras certas
Embaça o rosto no espelho
Sonhos se confundem com bobagens
Imagino enquanto não sei se vivo
Olhei para fora, dentro e para cima
Mas tudo continua em silêncio
A espera desequilibra a esperança
A fé fica sem lugar
Por que é tão difícil saber?
É apenas uma única escolha
O que me falta fazer?
Para que a alma siga em frente
Nunca conheci um lugar tão vazio
Nenhuma gota de vontade
Nenhuma ideia vinga
Vencido por uma imensidão solitária
Eu caminho pelos versos
Para largar um pouco dos pesos
Suspirar sobre algumas verdades
Manter a insanidade de não saber desistir
Ass: Danilo Mendonça Martinho
Embaça o rosto no espelho
Sonhos se confundem com bobagens
Imagino enquanto não sei se vivo
Olhei para fora, dentro e para cima
Mas tudo continua em silêncio
A espera desequilibra a esperança
A fé fica sem lugar
Por que é tão difícil saber?
É apenas uma única escolha
O que me falta fazer?
Para que a alma siga em frente
Nunca conheci um lugar tão vazio
Nenhuma gota de vontade
Nenhuma ideia vinga
Vencido por uma imensidão solitária
Eu caminho pelos versos
Para largar um pouco dos pesos
Suspirar sobre algumas verdades
Manter a insanidade de não saber desistir
Ass: Danilo Mendonça Martinho
domingo, 11 de junho de 2017
“Se tudo passa” (24/03/2017)
Por que entre todas as coisas que poderíamos usar de referência nessa vida fomos escolher logo o tempo? Uma coisa que contamos sem saber o fim e com medo que acabe. Algo que te persegue pelos dias e noites, que te empurra ladeira abaixo, controla nossos passos, nossos afazeres, exige presença, dispensa motivos. Mas se você colocar reparo no relógio ele continua numa calma sorrateira. Se acompanhar pelo Sol então as sombras se mexem aos milímetros. Pode demorar até mais de hora para percebemos a mudança. O fato é que ele não se importa com nossa urgência, não entra na nossa pilha, ele apenas passa como parte da paisagem, fiel a sua natureza.
A pressa está em nós, plantada em nosso âmago desde pequenos. Cada dia mais cercados. Na parede, no pulso, na TV, no celular, na rua. Sempre temos um tempo, nunca estamos em tempo e ficamos a espera de um tempo que possa parar. Somos inventores da maior parte de nossas mazelas. Agarrados a tudo que nos aflige, reféns de nossos medos, conformados com nossa rotina. Mas que grande tolice foi começar a contar o tempo. Do que importa a duração das coisas se pudermos vivê-las com alguma alegria?
Ass: Danilo Mendonça Martinho
sexta-feira, 2 de junho de 2017
“30º” (15/02/2017)
O calor que toca a pele
Apoia minha alma
Na frágil desculpa
Que o tempo se tornou escasso
Por mais que se dividam os dias
A inércia equilibra a balança
Nessa versão do mesmo tema
Culpa disfarçada de impossibilidade
São todas chances do mundo
Mas nenhuma escolha
Nenhuma paixão que leve adiante
Apenas repetindo para não desaparecer
O sol não me derrete
A esperança não esmaece
Tortura-me com a verdade
Sou protagonista da minha solidão
Falta-me pequenas coragens
Abandonar, admitir e acreditar
É a idade do cansaço
Ou cansaço da ideia
A noite ainda guarda o bafo
Um toque final no descompasso
Os planos de um novo amanhã
A certeza velada que não o será
Ass: Danilo Mendonça Martinho
Apoia minha alma
Na frágil desculpa
Que o tempo se tornou escasso
Por mais que se dividam os dias
A inércia equilibra a balança
Nessa versão do mesmo tema
Culpa disfarçada de impossibilidade
São todas chances do mundo
Mas nenhuma escolha
Nenhuma paixão que leve adiante
Apenas repetindo para não desaparecer
O sol não me derrete
A esperança não esmaece
Tortura-me com a verdade
Sou protagonista da minha solidão
Falta-me pequenas coragens
Abandonar, admitir e acreditar
É a idade do cansaço
Ou cansaço da ideia
A noite ainda guarda o bafo
Um toque final no descompasso
Os planos de um novo amanhã
A certeza velada que não o será
Ass: Danilo Mendonça Martinho
quarta-feira, 15 de março de 2017
“Hamletiniano” (09/03/2017)
Viver ou não viver? É a tradução mais sincera dessa pergunta amedrontadora que por um instante supõe que a existência dessa consciência passageira esteja sujeita a uma escolha tão simples como abrir os olhos pela manhã.
Na minha mão em inglês arcaico vejo pela primeira vez o original que já não o é. Carregado de séculos de história e versões. Determinado e resignificado. São tantas suas possibilidades que reviso as minhas intenções. Mas o desejo é tentar traduzi-lo com meu inglês sem escola. Traduzi-lo em uma sincera e abstrata poesia.
Traduzir palavras tão distantes de sua verdade é fazê-las se perderem de uma vez, libertas de sentido. Serão vítimas do meu contexto, reais e deturpadas, sem mais chances de defender suas origens, a mercê do tempo e seus passageiros. Traduzir essas palavras é quase como negá-las a pureza que lhe resta, é negar sua própria existência.
Com um indiferente perdão poético o faço:
Viver ou não viver? Apavorante questão
É mais nobre sofrer do que desistir
Abraçar as mazelas e dores de nossa sorte
Ou com as próprias mãos enfrentar a maré
E ao enfrentar, encerrar em si o sentimento?
Morrer ou dormir, não importa mais.
Em um sonho encontrar nosso fim
O coração partido, e as milhares de cicatrizes
Que a carne deixa de herança para alma.
É a chama da qual desejamos e somos devotos que nos consome.
Morrer ou dormir, dormir!
Pela chance de sonhar: Sim, essa é a saída.
Pois dormindo não vivemos e o que podemos sonhar
Quando desconectados dos limites do corpo
Devem nos trazer alento
Um novo respeito as calamidades dessa vida tão longa
Para aqueles que vestem suas verdades e encaram sua rotina.
O poder corrompe, o orgulho cai
O Amor é negligenciado e tarda o perdão
O cansaço do trabalho e dos espinhos
Esse paciente mérito desmerecido
Que poderia em seu sossego
De mãos limpas nos tirar a vida.
Quem pensaria em aguentar?
Viver sob suor e lágrimas
Em vez de encarar o desconhecido
O silêncio que nenhuma palavra quebrou.
O desejo está em pedaços
E nos faz aguentar estes pesos
Em vez de encarar o precipício dos nossos sonhos.
A consciência do impossível deixa nossos pés no chão
E portanto as primitivas cores do olhar
Se diluem em um pensamento cinzento
E a aventura à flor da pele se resguarda
Suas correntezas se confundem
Se perdem em nome do nada.
Ass: Danilo Mendonça Martinho
*Inspirado no texto de Hamlet, Shakespeare. E no espetáculo "Hamlet, processo de revelação", dirigido por Adriano e Fernando Guimarães, interpretado por Emanuel Aragão.
terça-feira, 7 de março de 2017
“Ensaio dos 30 anos” (07/02/2017)
Crescer me apequenou. Eu não tinha medo das minhas opiniões, eu abraçava com mais facilidade meus sonhos, eu tinha vergonha dos meus erros mas nunca os escondia, cresci errando. Eu acreditava nas minhas verdades e brigava pelo que parecia certo. Eu levantava a mão para questionar. Eu era mais livre nas minhas escolhas. Minha timidez inibia minha coragem mas não tirava sua força. Minha voz não embargava a qualquer momento. Eu tinha aprendido a me virar. Não congelar diante o desafio. Nunca me deu branco. Eu duvidava muito menos de mim, hesitava muito menos. Era mais cheio de palavras.
A idade está comigo, as responsabilidades, as contas, a casa para cuidar, o casamento para amar, o trabalho para cumprir, os sonhos para seguir. Mas ando esquecendo de tudo. Deixando o importante de lado, deixando acumular as ideias, fazendo apenas o necessário. Escondi-me tanto da realidade que hoje é quase um processo involuntário. Uso as complexidades de meu pensamento para algumas poucas bobagens. Culpo a rotina pela distância e os abraços que não dou são os mesmos que me faltam. O espelho ou não mostra ou me engana, pois não vejo nenhum adulto. Por dentro então tudo é um grande receio: falar, ser, opinar, acreditar, assumir, conquistar, sonhar, crescer.
Até um momento era tudo potencial e tudo se esvaiu como um rio diluído no mar. Irreconhecível e esquecido na imensidão sem norte. Entre tudo que eu poderia agarrar nesse naufrágio das idades da vida, como raios eu fui esquecer da vontade.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
“Reset” (17/01/2016)
Eu não entendo essa vontade
Se eu sei que é em frente
Se eu quero continuar insistindo
Se a felicidade se escondeu no depois
Para que me entregar ao tempo?
Largar no sofá as esperanças
Esquecer no silêncio nosso rosto
Não entendo a dificuldade de lutar
Foi engano a renovação da alma?
O dever não ficou de lado?
Não entendo essas amarras
Fugir do próprio pensamento
Basta hesitar para desistir
Construímos verdades
Acreditamos na nossa imagem
E agora que nos desmentimos
Precisamos desfazer nossa fé
E lembrar todos os dias quem somos
Ass: Danilo Mendonça Martinho
Se eu sei que é em frente
Se eu quero continuar insistindo
Se a felicidade se escondeu no depois
Para que me entregar ao tempo?
Largar no sofá as esperanças
Esquecer no silêncio nosso rosto
Não entendo a dificuldade de lutar
Foi engano a renovação da alma?
O dever não ficou de lado?
Não entendo essas amarras
Fugir do próprio pensamento
Basta hesitar para desistir
Construímos verdades
Acreditamos na nossa imagem
E agora que nos desmentimos
Precisamos desfazer nossa fé
E lembrar todos os dias quem somos
Ass: Danilo Mendonça Martinho
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