quinta-feira, 19 de outubro de 2017

“Insolúvel”(14/09/2017)

Eu adoraria dizer que sim
Que encontrei solução
Que me trouxe paz

Meu olhos podem contar mais
Minhas memórias são felizes
A expectativa foi errada

A gente esquece de ser
No meio desse negócio de procurar
A gente não sente o sabor
Sem se deixar levar

Eu sou um traçador de planos
Em uma vida sem programação
Na cidade onde chove e faz Sol

Queria um mero propósito
Queria me dar sentido
Queria uma bússola de sonhos

As escolhas vivem na liberdade
Além dos limites desenhados
A verdade reside no inconsciente
Na espera que possa aceitá-la

A vida não é só reagir
A vida não é só planejar
É um agora misturado com depois

É preciso dividir céu e maré
Manter o desejo em vista
Sem tirar o olho do que pode chegar

Eu não posso dizer que sim
Mas posso apontar o começo
Cada um tem um caminho para sair
O meu é o verso

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 17 de outubro de 2017

“Perdão” (06/08/2017)

Saiba meu amor que estou perdido quando teus olhos não encontram os meus, cabisbaixo em minhas próprias frustrações. Se tem algo que pode mudar é me dar mais teu colo e teu carinho, o eterno abrigo que protege meus sonhos adiados. Não me imagino possível longe do nosso lar, preciso de alguém que acredita em mim, que me aceita nas imperfeições, que me leva adiante. Estou tão longe de saber ao certo o que quero para minha vida, mas você meu bem, é o caminho. Eu que tanto prezo pelas palavras devo tomar cuidado para não esquecê-las em silêncio ou afiá-las na língua. Não me deixe fazer duvidar, você já é tudo que preciso. O choro é só um reequilíbrio, a vontade de ser melhor. Saiba meu amor que o que mais prezo são esses nós, os que construímos juntos, essa corda que não escapa. Meu começo e meu fim são teus braços. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

“Fadiga” (06/07/2018)

Algumas vezes cansa
Dá vontade de não querer
Deixar a correnteza levar
Usar a mente para esquecer
Decidir que tudo tanto faz
Ser comum a ponto de se perder
Largar o corpo no sofá
Se imaginar nos heróis da TV
Deixar a louça para amanhã
Ficar de pijama até feder
Pedir comida para entregar
Dormir quando te lembram o que fazer
Sentir o coração amargurar
Assistir o amor se desfazer
No infinito de um tempo não se preocupar
A liberdade de não reconhecer

Será que inertes o suficiente
Diminuídos e encolhidos
No escuro de um quarto
Escapamos de algo?
Estaremos protegidos de quê?

É que algumas vezes, simplesmente cansa

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 6 de agosto de 2017

“Continuum” (06/07/2017)

Fim de semana
Fim de ano
Fim de namoro
Para que tanto fim numa vida só?
Para que nos despedaçar pelo caminho?
Viver não é fácil tomando as atitudes certas
Ainda arranjamos todos estes conceitos
De tempo, dor e alívio
Ficamos aqui desmentindo verdades
Para que tantas pedras no caminho?
É difícil evoluir quando repetimos o passado
Pois chega de ponto final e tudo de novo
Perceba as vírgulas da sua história
Acumule tudo que puder no coração
Amontoe os anos e os amores
Construa-se dos mais diversos sabores
Não dê fim, dê continuidade
Nessa sequência aleatória de dias
Somos tudo em um só
O fim represa seus sentimentos em um lugar
E precisamos deles o tempo todo
Mais que completo, seja infinito

Ass: Danilo Mendonça Martinho

segunda-feira, 24 de julho de 2017

“Dia de frio” (01/06/2017)

Eu queria voltar para cama e deixar a vida passar bem devagarinho. Não que minha alma não esteja ansiosa para seguir em frente, para que o tempo necessário finalmente passe e as coisas aconteçam. É que os deveres que se acumulam em meus pés não tem muito gosto e realizá-los sem ver o porquê os torna em fardos. É tudo um processo de fé. Daquilo que somos, daquilo que queremos, do que acreditamos. Eu não acho que sonhamos com o impossível. Sonhamos proporcionalmente a força de nossa alma. O que martela na nossa cabeça é esse potencial, as conquistas dentro do nosso alcance. Então talvez se ficar um tempo suficiente debaixo desse cobertor, deixando o frio soprar pela janela e a garoa escorrer sem pressa pelo vidro; Talvez eu possa fechar os olhos bem forte e enxergar como se fosse agora a felicidade que desejo, e talvez sentindo o que ainda não existe, saboreando essa realidade sublime, eu teria a força para não voltar mais para essa cama. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 18 de julho de 2017

"O cheiro" (16/05/2017)

Sabe o cheiro que mais incomoda no mundo?
Cheiro de gente
E não estou falando do suor do trabalho
Nem do marido que chega da pelada de final de semana
Estou falando de quem dorme na rua
Que raramente toma banho ou troca de roupa
Que por circunstâncias que desconhecemos
Mas adoramos julgar
Se encontram na margem da sociedade

Você sabe o que fazemos quando sentimos esse cheiro?
Nós fechamos os olhos
Nós viramos a cara em desgosto
E ao fazê-lo você sabe o que acontece?
Nós deixamos de enxergar a humanidade
Quase perdida no olhar do outro
E ao negar nosso olhar
Negamos talvez a última coisa que ainda o fazia se sentir gente

Muitos são loucos, bêbados, doentes, desempregados
Mas quantos de nós sentimos o desespero?
Quantos de nós estivemos na beira do completo desequilíbrio?
Quantos de nós não fomos ajudados pela família e amigos?
E se no próximo minuto você se encontrasse sem nada
Ao que você se entregaria?

Quem sabe seja inocência os 50 centavos que levo no bolso
Quem sabe seja um simples alívio de consciência
Quem sabe seja hipócrita , pouco, ridículo, inútil
Mas como pessoas viram corpos estranhos na nossa rotina?
Quando estendo a mão talvez tire alguém do ostracismo
E um talvez é melhor que um nada
É melhor do que a verdade impregnada na nossa pele

Ass: Danilo Mendonça Martinho

terça-feira, 11 de julho de 2017

“Para um Amanhã” (05/05/2017)

Quando me encontrar aqui neste sofá me perguntando como tudo aconteceu, muitos dos meus sonhos já serão verdade e a melancolia, que por hora mora, se tornará outra angústia que ainda não sei o gosto. Nada nessa vida é instantâneo, o que acontece é que quando estamos vivendo nossos planos não conseguimos reparar nas horas que passam e quando tudo se completa parece que foi rápido demais, como se tudo tivesse acontecido ontem. Basta olhar para o coração para entender isso. As solidões parecem ter durado muito mais do que as presenças, por mais que o calendário desminta. Envolvidos vivemos, sozinhos contamos os minutos que se arrastam pelo tempo. Por isso ao observar a chuva amiga da preguiça que escorre pelo vidro, quero me lembrar que este agora foi há muito tempo. Tenho certeza que anos nos separam e que a vida te trouxe mais do que posso imaginar. Foram sequências de aventuras, desafios, tristezas e uma felicidade perene. Talvez nada disso tenha levado ao lugar que por hora sonho. É provável que tenha mudado bastante. Mas tudo bem, não quero falar sobre sucesso ou fracasso, só quero te dar a perspectiva de tudo que passou, que cresceu, aprendeu, que foram anos bem vividos e que pode fazer tudo isso outra vez. Se tudo estagnou e nossas verdades se tornaram dúvidas, aproveite. Sente-se e olhe a chuva cair mais vezes. Aproveita para reparar nos anos que passaram correndo. Perceba enquanto é tempo o que realizou depois de mim. A vida tem diferentes belezas, o que precisamos reparar é se estamos em movimento ou parados, para então reconhecê-las. Saiba você que está tudo bem. 

Temos uma casa, um amor, uma família, um trabalho. Temos muitos sonhos e nenhuma certeza. Alguns dias é preciso um suspiro maior que outros. Há um pouco de vazio, a palavra não vem com tanta frequência e o futuro está embaralhado. Mas continuamos seguindo com a calma possível até achar o caminho que levará até você. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho