domingo, 17 de maio de 2015

“De ontem pra hoje” (10/05/2015)

Como encontrar o homem dentro de si?
Quais feições no rosto me entregam?
O que será que o consciente prefere ignorar?
Crescer muda aparências, mas e o espírito?

Não há mais promessas veladas
A responsabilidade é uma escolha
Fugir é só correr em qualquer direção
Só que não há caminhos pro passado

É preciso cumprir uma parte de nós
Para que alguma outra seja livre
Amadurecer lembra um processo natural
Mas desconheço ser humano que se possa colher

Decidi passar os dias diante o espelho
Encontrar o que mudou sem me levar
A alma é mais transparente que o corpo
Sentir é o mais sólido que se pode chegar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 10 de maio de 2015

“Teoria dos nós” (04/05/2015)

Não há exatidão nas palavras
Por isso amar não tem limites
Razões para ser são as mesmas de esquecer
Poderíamos aceitar o que é real
Mas somos a aposta da incerteza
Ser mesmo que chova ou seque
Voltar é mais natural do que seguir
A porta separa o tempo e o espaço
O abraço elimina o antes e o depois
O infinito não se aplica à escolha
Nosso caminho é através da parede
Rumo é encontrar entrada pro coração
Destino é aconchegar paz na alma
Enxergar todo dia os traços do sonho
O universo cabe no olhar
Dos meus fiz nossa morada
Com o sorriso beirando a palavra
Para quem passar ter uma ideia insensata
De como ser feliz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 3 de maio de 2015

“Por trás da alma” (28/04/2015)

Há um solitário dentro de nós. Não sorri, não decide. Um silêncio preenchido de palavras. Verdades escondidas. Quem é te amedronta mais do que o que pensam de você. Só há uma pessoa que sabe até onde é real e a ignoramos com toda força. Viver em meio de tantos sem trazer nada para si é uma viagem tranquila, não se compra brigas nem problemas, não se faz amizade nem amor. Seguir é extremamente fácil quando não há nada que te importe abrir mão. O resto do dia longe dos espelhos dos olhos que te despem se torna um grande palco. Somos a sociedade do parecer, satisfeitos em ouvir o que queríamos. O quanto te corrói fazer o que não é? Tuas olheiras, tua constante aflição, o medo de que tudo volte a desmoronar. Teu pessimismo é uma cicatriz no rosto, incapaz de esquecer. Enquanto isso, no íntimo de nós, permanece sozinho, sincero e livre, a parte de nós que por algum motivo preferimos esquecer. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 26 de abril de 2015

“Rei e Rainha” (21/04/2015)

O amor manda?
É absoluto em suas vontades?
Há espaços para questionamentos?
Existe alguma forma de fugir?
E se o amor for ditadura?

Sob seu estado embriagante
O prazer é lei marcial
Verdades caem como chuva
Sintonizados no mesmo canal
O que divide a linha do horizonte?

O aqui tem limites no corpo
A vida não tem uma única face
A plenitude não está no que é sempre
É o que segue mesmo sem ser
O amor reina junto da dor

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 19 de abril de 2015

“Encontrar-ser” (09/04/2015)

Não me resta ser poeta
É tudo que sou antes de ser resto
Nem sempre fazemos o que somos
Fazemos de nosso todo uma parte
Pedaços espalhados pela sala de estar
O espelho ignora o que não esconde
A fé cega no que podemos ser
Não enxerga o que já não sou
A palavra procura rima
A vida procura seguir
Ninguém está pronto para ser todo
Só que não há nada que me resta

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 12 de abril de 2015

“Linhas imaginárias” (03/04/2015)

O meio do caminho
Não é metade do que sou
O que era deixei quando parti
O que quero não me pertence
Estou vazio e estar também se sente
O temporário é finito e indeterminado
Até quando não poderei vestir o que sou?
Até quando terei que estar o que sinto?
Se é meio, falta tudo que já caminhei?
Meio não é metade
É uma palavra perdida no nada
O onde é apenas um qualquer
Indiferentes somos infinitamente comuns
Na ausência do que sou quem toma a decisão?
Não ter lugar é o mesmo que não se reconhecer?
As escolhas nos fazem únicos
Pois o que me trouxe até aqui, destino ou direção?
O caminho não é um limite
Cruzamos as fronteiras das incertezas
Traçar sonhos expande a alma
Mudança não tem norte apenas desejo
Se em algum momento me deixei para trás
Foi porque amava algo o suficiente para me levar adiante
O momento que deixei de ser, deixei de estar
O meio é uma ilusão, estamos à margem....
Ou na correnteza tentando seguir o coração.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 5 de abril de 2015

“Edição de outono” (19/03/2015)

Imprimo-me seco
Na maior variedade de marrons que achei
Estalo a cada passo
Ajeitando minhas entranhas com o vento uivoso
Forro meu chão
Papéis picados e esquecidas cartas de amor
Tiro meu véu
E sobra apenas o azul, da esperança ao desespero
Acalmo a vida
Comigo há de não ter pressa o amanhã
No espelho amarelado
Reflito sobre tudo que leva até aqui
Visto outra estação
Para ver se me sirvo e descubro como seguir

Ass: Danilo Mendonça Martinho