domingo, 1 de junho de 2014

“O que vocês nunca entenderam” (07/05/2014)

Para mim nunca foi uma questão de curiosidade, de saber como era pegar na tua mão, de como era sentir um beijo, descobrir os sentimentos, explorar os limites do corpo e a profundidade das palavras. Não! Eu amava. Sempre quis tudo, o compromisso, o namoro, a companhia, a ideia de ser feliz por um tempo indeterminando, sem me importar que fosse durar para sempre. Eu tinha essa certeza, eu tive essa certeza talvez cedo demais, é difícil saber o que quer, você acaba excluindo outros caminhos, mas a verdade é que desde sempre minha alma só quis ser completa e não me parecia que isso poderia soar como pedir demais. Talvez se tivesse olhado para outras mulheres e só tentasse perceber quem me queria, quem sabe teria outras histórias para contar, só que decidi ser fiel ao que sinto e isso para mim jamais foi ilusão. Certo ou errado, escutei o coração. Doeu, sofri, mas jamais duvidei do que queria, do que já sabia que precisava para ser feliz. Não julgo sua decisão, estou aqui para expor o lado que não sabia como fazer antes. Querendo ou não, ninguém pensou em mim, e qualquer solução é fácil quando preferimos ignorar o outro. No dia que a moeda virou eu soube dizer não, uma das coisas mais terríveis que já fiz, mas que me deixou em paz, a sinceridade tem seus contras e suas recompensas. Tudo bem, só silêncio também serviu. Cresci e hoje entendo que não era de bom tom se entregar por inteiro, a “culpa” foi desta minha estapafúrdia ideia de um romance. Carreguei, tempo demais, longe demais, hoje cheguei, mas essa outra é história. Não estou cobrando para que me entendesse, mas que me entenda, acho que você cresceu também e pode entender o que é amor e uma pessoa em busca de sua felicidade. Um olhar de fora se apressará para julgar de tolo, apaixonado, um incurável e concordaria se hoje não soubesse que não fui nada além do era, do que em muitos aspectos ainda sou e assumir o que se é, tem consequências. Estava disposto e aprendi, me orgulho, pois não são muitos que podem dizer isso. Te peço da minha mais profunda sinceridade que entenda, não para que me procures com desculpas, nem muito menos para que possa perdoar-te, teve vítimas, mas não culpados. Eu te peço para que também possa encontrar no passado o que ainda deve ter dentro de si, aquilo que te move, aquilo que jamais deve tirar de sua cabeça não importa a dor que venha no caminho, a felicidade vale cada lágrima. E guarda contigo meu poema, ao menos o vaso das flores, o meu primeiro beijo, lembre do sorriso e não da partida, da noite que passei no seu sofá e não dos anos sem se ver; Guarda e saiba que nesses momentos fui completo, despido de tudo, real. O que você nunca entendeu é que para mim amar nunca foi menor do que isso, e isso merece respeito.   

Ass: Danilo Mendonça Martinho


sábado, 24 de maio de 2014

“Desconcerto Cordial” (22/04/2014)

Desculpe meu amigo
Você não merecia
Não essa palavra menor
Mesmo que com razão
Podia ter evitado
Logo você que sabedoria
O que é construir um lar
Teu canto é aconchego
É você de todo coração
É que o nosso, é outro
Tem um espaço de pra sempre
Uma vista de se acostumar
Um como para futuro um canto de seriedade
E outro para esquecer-se
Mas acima de tudo
Encontramos sem esperar
Nossa felicidade
Mesmo assim desculpe-me
Nada é motivo de destrato
Todo mundo se incomoda
O amigo é o que não deixa passar
Por isso, desculpas

Ass: Danilo Mendonça Martinho

sábado, 10 de maio de 2014

“Bença” (22/04/2014)

No mar de decisões maiores que nós precisamos de algumas garantias. Tentamos por todos os lados descredenciar o sonho e conforme a vida nos fazia seguir em frente o medo se diluia na vontade, no desejo, na estranha incerteza de sentir que estávamos certos. Pelos dias que se seguiram a Chuva caiu sobre estes pensamentos. De forma doce para que desistisse do guarda-chuva. Fazia tempo que não encontrava ela assim. Ao pensar na decisão não tive dúvidas e com um sorriso sussurrei: Bença Chuva.

Não lembro bem quando, mas não muito tempo depois, os questionamentos ainda seguiam dentro de mim, embora mais silenciosos. Entre as árvores surgiu aquele brilho intenso do sol quase que de propósito na minha direção. O mesmo Sol que me acordava na infância quando dormia na sala de minha avó. Até hoje é uma das minhas sensações favoritas acordar assim com esse raio de luz preguiçoso, que mal toca seu rosto. Meu corpo ficou em paz e falei sorrindo: Bença Sol. 

Na janela confessionário onde debrucei com melancolias, aflições e filosofias adolescentes eu resolvi voltar. Minhas conversas hoje são mais esporádicas, não menos importantes. Agarrado contra as grades sentindo o vento e o céu azul minha palavra não precisa de pressa. Abro o peito para o universo que me criou e tento descrever o gosto dos sentimentos. Mas acima de tudo agradeço, pelo encontro, pela chance, pela felicidade. Bença Céu. 

Pela manhã caminhei entre os eucaliptos sobre o chão de cascalho. Posso muito bem seguir pelo asfalto, mas são raras as chances de respirar este ar misturado de nostalgia. A vida parece mais presente em nós, como se tudo pertencesse. Todos acabaram me visitando para dar certezas e eu retribui. Bença Natureza, bença. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

domingo, 4 de maio de 2014

“Inquietação” (24/03/2014)

Minha mente está querendo fugir
E não é uma questão de endereço
Adio tudo e tanto quanto posso
Conjugo as ações do tempo do preciso
A sensação do dever me afasta
Mas a negligência é amarga e sufocante
E se todo dia for só responsabilidade?
Será que soube como crescer?
Permaneço insuficiente na inércia
Sem satisfazer a alma
Sem me empenhar nas obrigações
Não há metodologia que organize a vida
Pois não há tempo determinado
Apenas correndo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 16 de abril de 2014

“Sobre o que não passa” (19/03/2014)

Nossa alma é uma extensão do corpo a arrastar e tropeçar em tudo ao nosso redor. As almas sensíveis acabam por se deixar levar e se envolvem na dor ou na felicidade do próximo. Os solidários são a prova que o sentimento é eterno. Tudo que transcende o corpo foge de nosso controle, o que sentimos ficará nesse mundo muito depois de nós. A escolha é até quando, até onde estamos dispostos a carregar tudo que nossa alma guarda. O tamanho do sentir é uma questão de perspectiva e quanto certos valores acabam sobrepondo outros. Por isso amores podem virar vilões. Qualquer palavra que busque dar um fim é apenas a razão tentando dar sentido a emoção. A noite e o dia não mudam ninguém, mas o olhar é sempre diferente. É assim que um dia acordamos e descobrimos que aquela paixão já não nos move mais. Abandonar isso é abandonar um sonho. Nunca é fácil para ninguém quando sobra apenas realidade. A busca vira pelo estrago, pela justificativa. Você pode dizer que acabou e que já não sente mais nada, mas o amor há muito transcendeu seu corpo e está a influenciar todo seu redor. Para encontrar paz é preciso entender e ter a coragem de abrir mão. Nada termina sem motivo e nenhum sentimento desaparece. Aquilo tudo simplesmente deixa de te motivar, será sempre uma parte de você e do seu universo, mas que só cabe no passado. 

Um dia encontramos esse sentimento recíproco do qual não sabemos viver sem, os outros temos que deixar para eternidade. A alma move o corpo. Uma alma em paz move o mundo. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 9 de abril de 2014

“Ser ou não ser” (12/03/2014)

Tem sombras que são silêncio
Cadeira, mesa, cama, pia
Até mesmo no teto
Mas nunca pensei em companhia
Não ouço nem seus passos
Abriu e fechou a porta
Só que jamais entrou
Apenas te trombo nos cômodos
Sem ameaçar palavras
Tua presença parece memória
Não interfere na minha rotina
Suas respostas são burocráticas
Penso que existimos....
Mas não como nós

Presença exige mais
Realmente não estou aqui
Meus planos estão todos de saída
Nesse lugar que será visita
Criarei também novos laços com o silêncio
Agora isto não faz sentido
Não existe preparo para queda
É preciso dizer enquanto é tempo
Não imagino essa casa vazia
Espero que a deixemos juntos
Mesmo sem o mesmo destino
Penso que o “nós” é onipresente....
Mas há o que deixou de existir

Ass: Danilo Mendonça Martinho

quarta-feira, 26 de março de 2014

“As primeiras impressões de um outono” (25/03/2014)

Pela manhã o asfalto da rua estava enfeitado de dourado e eu esquecido da natureza achei que estava pintado quando era apenas o Sol. São sinais da nova estação. O dia fica a meia altura e encontramos mais coisas pelo chão. Nada deixa de ser belo, o universo é sábio, e a planta que leva o nome de minha avó insiste em florear-se, assim, fora de época. Determinar como a natureza se comporta é mais uma das criações humanas em busca de controle. Prefiro assim: acordamos sob uma brisa gelada e um céu limpo, no fim da tarde talvez chova. A incerteza faz mais sentido. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho